sexta-feira, 21 de abril de 2017

A dignidade das vestes litúrgicas


Uma resposta à professora de teologia Solange Carmo

O presente artigo foi-nos enviado por um seminarista que preferiu ficar no anonimato. Trata-se de uma reação a comentários de uma senhora professora de teologia. Não nos responsabilizamos pelo presente texto. Aceitamos publicá-lo porque oferece uma resposta a esses comentários maliciosos nos quais, juntamente com muitos católicos retos ligados aos usos tradicionais da Igreja, nos sentimos ofendidos.

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Foi dividido em duas partes, a primeira é uma explicação sobre o porquê da necessidade dos padres usarem vestes nobres e a outra uma resposta direta a professora.
Nem todo escrito é de autoria própria. Foi tirado informações de diversos lugares como: Site do Vaticano, Veritatis Splendor, Salve a Liturgia etc.

PRIMEIRA PARTE
A dignidade do ministério sacerdotal
Diz Santo Inácio, mártir, que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita”. Segundo São João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no número das coisas celestes. Citando Santo Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, elevado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus. E Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem.
Segundo São Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino. Numa palavra, conclui Santo Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber.
Mas é importante saber que, a dignidade não está na pessoa humana, mas no ministério exercido; no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: “Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza”.
Na Missa, o padre faz às vezes de Jesus, como na Santa Ceia e no Calvário. Dá-se aos padres o título de vigários de Jesus Cristo, e assim os chama Santo Agostinho, ou seja, a dignidade tem de ser maior, visto que não está expondo o seu eu, mas o ministério apostólico, que foi o ministério do próprio Cristo. Diz S. Lourenço Justiniano: “Deve o padre aproximar-se do altar como o próprio Jesus Cristo”.
S. Cirilo de Alexandria diz que o sacerdote é uma classe inteiramente consagrada ao serviço do divino Mestre, também Santo Ambrósio chama ao ministério sacerdotal uma “profissão divina”.
São Lourenço Justiniano exprime com admiração, falando do ministério dos padres na Missa: “Bem alto é o poder que lhes é dado! Quando querem, mudam o pão em Corpo de Cristo: o Verbo encarnado desde o Céu desce verdadeiramente à mesa do altar! É-lhes dado um poder que nunca foi outorgado aos anjos. Estes se conservam junto do trono de Deus; os sacerdotes têm-nO nas mãos, dão-nO ao povo e eles próprios O comungam”.
Ou seja, o Verbo encarnado Se obrigou a obedecer-lhe, vindo às suas mãos sob as espécies sacramentais, mesmo que esse sacerdote seja Seu inimigo! A dignidade sacerdotal é, pois, neste mundo a mais alta de todas as dignidades, nota Santo Ambrósio.
Então, veja bem, a dignidade deste ministério, excede todas as dignidades dos imperadores e dos anjos (que estão acima do ser humano) diz São Bernardo. Santo Ambrósio ajunta que a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo. A razão disso, segundo São João Crisóstomo, é que os poderes dos reis só se estendem aos bens temporais e aos corpos, ao passo que o dos padres abrange os bens espirituais e as almas.
Claramente se percebe que o poder não vem da humanidade do sacerdote, mas do próprio Cristo. Ou seja, no momento litúrgico o padre deve se revestir do que tem de melhor, porque o ministério não é dele, mas de Deus, da realiza, e por isso precisa ter toda a dignidade.
O padre que molda a suas vestes litúrgicas, se coloca como o protagonista da liturgia, se coloca como centro do rito. A Deus nos cabe adorar e glorificar com o que de melhor temos, não porque Ele precise ou porque vai ser mais Deus com isso, mas porque Ele merece toda dignidade.
A acusação de triunfalismo devido à nobreza da Liturgia é feita por aqueles que não tratam a Eucarística com solenidade. O próprio Mestre, entretanto, já havia respondido a essas questões.
Quando Maria unge o Senhor em Betânia, os discípulos se escandalizam. Para que este desperdício? Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres. Questionaram eles (Cf. Mt 26, 8-9).
Jesus, porém, teve uma atitude diferente: “Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis. Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura”. (Mt 26, 10-12)
Interpretando a passagem o Papa São João Paulo II diz:
“Ele pensa no momento já próximo da sua morte e sepultura, considerando a unção que Lhe foi feita como uma antecipação daquelas honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa”[1].
São JoseMaría Escrivá, meditando sobre essa mesma passagem, escreve: “Aquela mulher que, em casa de Simão, o leproso, em Betânia, unge com rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos magnânimos no culto de Deus. Todo o luxo, majestade e beleza me parecem pouco. E contra os que atacam a riqueza dos vasos sagrados, paramentos e retábulos, ouve-se o louvor de Jesus: ‘Opus enim bonum operata est in me’ - uma boa obra foi a que ela fez comigo’”[2].
É muita presunção dizer que porque Jesus morreu em uma cruz e nu, devemos supostamente representar o seu ministério com “pobreza”. Jesus respeitou o livre arbítrio da humanidade, morreu da forma como escolheram mata-Lo.
Jesus não tinha pecado, a sua pobreza na hora da morte não implica em vaidade. Mas, o padre que, ao representar o ministério de Cristo, não usa a veste digna da realeza que tem; na ideia de simbolizar a pobreza, acaba caindo na presunção, achando que é o protagonista e o ministério é dele. Acaba ostentando pobreza e ostentar virtude é vaidade, que anula toda virtude.
São Roberto Belarmino, cardeal, usava roupas e carruagens lindas, mas os assentos da carruagem tinham pontas escondidas de aço, ou seja, a virtude era oculta e o ministério que não era dele (apostólico) era muito digno.

A beleza litúrgica
“Senhor, amo a beleza de vossa casa, e o tabernáculo onde reside a vossa glória” (Sl 25,8)
O dom do Corpo e Sangue do Senhor é um dom inestimável, porque “neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação”[3].
Na Eucaristia, os fiéis são inseridos, misteriosamente, nas realidades celestes. Realiza-se nela, realmente, a ligação entre céu e terra, entre a Igreja militante e a Igreja triunfante. “Para nós, o banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas (Is 25, 6-9) e descrito no Novo Testamento como ‘as núpcias do Cordeiro’ (Ap 19, 7-9).
“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho”[4].
O mistério eucarístico é celebrado pela Igreja por meio da Divina Liturgia. Por seus ritos, a obra sacerdotal de Cristo crucificado-ressuscitado é continuamente perpetuada para as gerações cristãs.
“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele glória e poder através dos séculos”[5].
A nobreza na Liturgia, porém, não tem um valor meramente estético. Por meio dela, revela-se o esplendor da verdade cristã, a verdade de Cristo. Assim como apareceu transfigurado perante os discípulos, revelando a sua glória celeste.
Ele deve ser revelado na celebração eucarística, cercado de toda honra que o gênero humano Lhe pode devotar. O papa Bento XVI explica o valor da beleza na celebração litúrgica: “é necessário que, em tudo quanto tenha a ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-á ter respeito e cuidado também pelos paramentos, alfaias, os vasos sagrados, para que, interligados de forma orgânica e ordenada, alimentem o enlevo pelo mistério de Deus, manifestem a unidade da fé e reforcem a devoção”[6].
Ademais, a nobreza da Liturgia de forma alguma é um ultraje aos mais necessitados. Pelo contrário, mesmo os mais pobres não hesitam em dispor de seus bens para manter o culto divino. Pois o mandamento mesmo diz que é preciso amar – e honrar – a Deus sobre todas as coisas.
“A riqueza litúrgica não é a riqueza de uma casta sacerdotal; é riqueza de todos, também dos pobres, que, com efeito, a desejam e não se escandalizam absolutamente com ela. Toda a história da piedade popular mostra que mesmo os mais desprovidos sempre estiveram dispostos instintiva e espontaneamente a privar-se até mesmo do necessário, a fim de honrar, com a beleza, sem nenhuma avareza, ao seu Senhor e Deus”.[7]
Infelizmente, não faltam trevas a turvar a beleza litúrgica, e a privar o Sacramento das honras a ele devidas. Pois com o passar dos anos a Liturgia foi se limitando cada vez mais ao útil.
Com esse afastamento da beleza, em muitos lugares se pode notar um empobrecimento da Liturgia. Isso se deve não somente à mentalidade moderna de tornar tudo mais fast, mais rápido e simples, mas também a uma perda do sentido da Santa Missa. Em alguns lugares, o mistério eucarístico, “despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa”.[8]
Essa triste realidade contribui muito para o afastamento da beleza nas celebrações. Passou a existir uma grande familiaridade com a celebração litúrgica.[9]
Além de retirar todo – ou quase – valor artístico das celebrações, isso contribuiu para uma perda do caráter sagrado da Liturgia. “Certa Liturgia pós-conciliar, tornada opaca ou enfadonha por causa do seu gosto pelo banal e pelo medíocre, capaz de provocar calafrios”.[10]
“A veste litúrgica usada pelo sacerdote durante a celebração eucarística deve, em primeiro lugar, demonstrar que ele não se encontra lá em privado, mas que está lá em lugar de alguém – de Cristo. O seu privado e individual devem desaparecer, a fim de ceder espaço a Cristo”.[11]
Cada veste que se utiliza na celebração eucarística possui simbolismo próprio, manifestando um caráter do mistério pascal. Portanto, é necessário que sejam feitas com qualidade, e que não sejam abandonadas mesmo aquelas que não são obrigatórias, mormente, no Brasil, a casula, que é uma veste própria do sacerdote que celebra a missa, simbolizando a Cruz de Cristo, o fardo que o sacerdote, também pelos fiéis, carrega em seus ombros. É uma veste muito simbólica do sacrifício de Cristo e do valor incomparável do sacerdócio.
A tradição bíblica aclama Deus como “o próprio autor da beleza” (Sb 13,3). “A beleza é também reveladora Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo”.[12]
 A beleza divina manifesta-se de forma totalmente particular na liturgia sagrada, também através das coisas materiais das quais o homem, feito de alma e corpo, tem necessidade para alcançar as realidades espirituais: o edifício de culto, os ornamentos, paramentos, imagens, música, a própria dignidade das cerimônias.
A propósito disso, deve ser lido o quinto capítulo sobre “A dignidade da celebração litúrgica”, na última encíclica do Papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), que afirma que o próprio Cristo quis um ambiente digno para a Última Ceia, pedindo aos discípulos que a preparassem na casa de um amigo que tinha uma “sala grande e disposta”[13]. A encíclica recorda também a unctio de Betânia, um acontecimento significativo que precedeu a instituição da Eucaristia[14]. Frente ao protesto de Judas, de que a unção com o óleo precioso era um “desperdício” inaceitável, tendo em conta as necessidades dos pobres, Jesus, sem diminuir a obrigação de caridade concreta para com os necessitados, declara seu grande apreço pelo ato da mulher, porque a sua unção antecipa “essa honra de que seu corpo permanecerá digno, mesmo depois da morte, indissoluvelmente ligado ao mistério da sua Pessoa”[15].
João Paulo II conclui que a Igreja, como a mulher de Betânia, “não temeu ‘desperdiçar’, investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu estupor de adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia”[16]. A liturgia exige o melhor das nossas possibilidades, para glorificar Deus Criador e Redentor.
O rito romano é “simples” em comparação com outros ritos históricos, como os orientais, que se distinguem por sua grande complexidade e suntuosidade. Mas a “nobre simplicidade” do rito romano não deve ser confundida com uma mal-entendida “pobreza litúrgica” e com o intelectualismo, que podem levar à ruína a cerimônia, fundamento do culto divino[17].
A partir destas considerações, é evidente que as vestes sagradas devem contribuir “para o decoro da ação sagrada”[18], especialmente "na forma e no material utilizado", mas também, embora de forma mesurada, nos ornamentos[19]. O uso das vestimentas litúrgicas expressa a hermenêutica da continuidade, sem excluir nenhum estilo histórico particular.
Bento XVI apresenta um modelo em suas celebrações, quando usa tanta vestes de estilo moderno como, em alguma ocasião solene, as "clássicas", também usadas por seus antecessores. Isto segue o exemplo do escriba, convertido em discípulo do reino dos céus, comparado por Jesus com um chefe de família que tira do seu tesouro nova et vetera (Mt 13,52).


SEGUNDA PARTE
Respostas

A “teóloga” da PUC-MG Solange Carmo, criticando os paramentos usados na Semana Santa por alguns presbíteros e seminaristas disse:
“Meu Deus, não sei se fico mais assustada com as notícias da lava-jato e da administração Temer ou com o tanto de postagens mostrando os panos e adereços religiosos que meus alunos e ex-alunos de teologia redescobriram nos armários das paróquias! Batina, capa, túnica, sobrepeliz e até barrete! O brega voltou à moda; tornou-se fashion! Não me envergonhem, alunos meus! A teologia que vocês aprenderam nos dois institutos onde leciono não ensinou vocês a revirarem os armários em busca de modelitos religiosos, mas a revirarem as entranhas do coração em busca da misericórdia… Meu Deus, onde foi que erramos?”
Interessante que a professora se coloca como parâmetro de ensino: “A teologia que vocês aprenderam nos dois institutos onde leciono não ensinou vocês a revirarem os armários.... Não me envergonhem.”
Não professora, eles com certeza não aprenderam com a senhora, mas com a Igreja. Aprenderam que a batina não é “moda” como a senhora acha, mas é ausência dela.
Aprenderam que o padre não tem que estar na moda, visto que ele morreu para o mundo, para servir as pessoas que nele estão. É exatamente por isso que eles se vestem de uma cor neutra, com um tecido único e não andam na “moda” como a senhora acha que deve ser. O padre morre para os costumes e modas do mundo.
A riqueza não está na batina, arriscaria dizer que está em usar camisa social e polo todos os dias, das melhores marcas, com todos os modelos de calças possíveis.
O padre não tem que parecer com o povo; ele saiu do povo para servi-lo, ou seja, quando ele coloca a batina é como se colocasse uma placa no pescoço: Estou aqui para te ajudar, te atender.
Por isso, eles não saem na “moda” no meio do povo, camuflados, como que se escondendo daqueles a quem tem que servir.
O pior é que a senhora não entendendo o que fala, escrevendo depois: “...por esses dias mesmo, um amigo meu me disse que, estando num bar reconhecidamente LGBT para comemorar aniversário de uma amiga, viu por lá muitos seminaristas. Nada demais se se comportassem como deve um cristão, mas não: mostraram conduta moralmente reprovável.” Como a senhora deixou claro, eles não estavam de batina, ou algo que os identificassem como seminaristas, mas camuflados, se escondendo da missão, sim, foi isso que gerou o secularismo das vestimentas, aproxima a perversidade.
Como é de costume dos padres piedosos que usam a batina, sempre repetem a frase: Onde minha batina não pode entrar eu não entro.
E como é frutuoso o uso desta vestimenta para a atividade pastoral e missionária, basta perguntar a qualquer padre que usa, a quantidade de pessoas que vem conversar, pedir conselho, confissão, em qualquer lugar.
Já os que se camuflam entre o povo, fogem da missão. Como todos sabem, um padre é proibido de negar confissão a uma alma sincera, mas um padre que não se identifica como tal não está fugindo da obrigatoriedade não é mesmo?
Triste saber que a senhora considera a reverencia ao sagrado, a dignidade litúrgica e o amor ao ministério sacerdotal como uma vergonha: “Não me envergonhem...”
Depois a senhora escreve:
I – ERRO: “O uso dessas vestes não é sinal de amor à liturgia e muito menos um sinal do Evangelho. Ao contrário: é sinal de ostentação e de poder sacro. Jamais se vê nos Evangelhos qualquer indicação de que as vestes seriam sinal de conversão para o povo. Ao contrário, o despojamento, a renúncia aos privilégios e a simplicidade são sempre indicados como sinal do seguimento de Jesus. Eu não encontro nos Evangelhos a seguinte frase: ‘Nisso conhecerão que sois os meus discípulos, se vestirem vestes glamourosas e pomposas para vossas liturgias’. Não. disse Jesus que o sinal do Evangelho é o amor. ‘Nisso conhecereis que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como eu vos amei’”.
Quanto erro, senhora.
1º - Com base em que a senhora diz que as vestes não são um sinal de amor a liturgia?
2º - O catolicismo não é sustentado somente pelo pilar da Bíblia, mas também pelo Magistério e pela Tradição.
A senhora quer moldar a Bíblia ao bel prazer, a uma posição “teológica” sua, quando diz: “eu não encontro nos Evangelhos a seguinte frase”. Ainda querendo especificar como teria de aparecer.
3º - Como a Igreja tem os três pilares (Bíblia, Tradição e Magistério), existe sim fundamento bíblico para a reverência prestada por estes sacerdotes. 
E parece que a bronca que Jesus deu para os discípulos cai como que uma luva para a senhora:
“Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça. Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício? Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres. Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis. Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura.” (Cf. Mt 26, 8-12).
O próprio papa como membro do magistério já fez uma exegese desta passagem no sentido de usar do melhor para Jesus, como foi colocado acima e ele está apoiado na tradição. Ou seja, todos os pilares apoiam a pratica dos seus ex-alunos.
Veja como São José Maria Escrivá analisa essa passagem: “Aquela mulher que, em casa de Simão, o leproso, em Betânia, unge com rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos magnânimos no culto de Deus. Todo o luxo, majestade e beleza me parecem pouco.”
4º - Pelo que escreve, pressupõe que a senhora acha que o protagonista da missa é o padre e não Jesus. Está colocando a pessoa errada como o centro do rito. A Deus nos cabe adorar e glorificar com o que de melhor temos, não porque Ele precise ou porque vai ser mais Deus com isso, mas porque Ele merece toda dignidade.
“A veste litúrgica usada pelo sacerdote durante a celebração eucarística deve, em primeiro lugar, demonstrar que ele não se encontra lá em privado, mas que está lá em lugar de alguém – de Cristo. O seu privado e individual devem desaparecer, a fim de ceder espaço a Cristo”[20].
“...é necessário que, em tudo quanto tenha a ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-á ter respeito e cuidado também pelos paramentos, alfaias, os vasos sagrados, para que, interligados de forma orgânica e ordenada, alimentem o enlevo pelo mistério de Deus, manifestem a unidade da fé e reforcem a devoção”[21].

II – ERRO: “Veste talar, como vocês gostam de dizer, são antigas peças de museu que fizeram parte da história da Igreja durante um tempo de sua história quando ela esteve atrelada ao poder. O presbítero – um nobre da corte – se vestia como era costume dessa classe social naquela ocasião. Hoje isso é simplesmente descabido.”
Aqui a senhora cai na mesma falácia, colocando o padre como protagonista do rito, porque se a veste fosse para ele, caberia sim dizer que seria um luxo desnecessário.
Neste caso peço que releia a frase do papa Bento acima dita em Portugal.

III – ERRO: “Em tempos de Francisco, ressuscitar tais vestes é um despropósito e fazê-lo na Semana Santa é um acinte ao mistério celebrado. Olhemos para o Cristo nu na cruz. Aquele paninho que tampa suas partes genitais foi posto pela caridade cristã. Ele morreu nu, desvestido de tudo, inclusive do apoio da religião de seu tempo. E não há liturgia maior que a liturgia da cruz. Certamente o presbítero não vai celebrar pelado, mas vai aprender com o desapego do Nazareno a se vestir com discrição e simplicidade.”
Repito o que já foi colocado: É muita presunção dizer que porque Jesus morreu em uma cruz e nu, devemos supostamente representar o Seu ministério com “pobreza”. Jesus respeitou o livre arbítrio da humanidade, morreu da forma como escolheram mata-Lo.
Jesus não tinha pecado, a sua pobreza na hora da morte não implica em vaidade. Mas, o padre que, ao representar o ministério de Cristo, não usa a veste digna da realeza que tem; na ideia de simbolizar a pobreza, acaba caindo na presunção, achando que é o protagonista e o ministério é dele. Acaba ostentando pobreza e ostentar virtude é vaidade, que anula toda virtude.
São Roberto Belarmino, cardeal, usava roupas e carruagens lindas, mas os assentos da carruagem tinham pontas escondidas de aço, ou seja, a virtude era oculta e o ministério que não era dele (apostólico) era muito digno.
O Papa Francisco como seus antecessores sempre mantiveram a dignidade litúrgica, instrumentalizá-lo para sua causa é muita desonestidade.

IV – ERRO: “Outra coisa, para quem diz que isso é tradição, seria bom perguntar: Tradição de que tempo? Das origens cristãs não é, com certeza. Vocês gostam tanto de apelar para a Tradição. Pois bem, apelemos! Voltemos às comunidades cristãs originais. Já pensou o presbítero ou ancião celebrando com tais vestes naquelas catacumbas fedidas? Ah, voltemos a Pedro, a pedra da Igreja. Já pensou o pescador do lago de Nazaré com essas roupas? Sejamos razoáveis por amor à Tradição cristã.”
Sim, voltemos à tradição, que tal a tradição dada por Deus?
Eis as vestes que deverão fazer: um peitoral, um efod, um manto, uma túnica bordada, um turbante e uma cintura. Tais são as vestes que farão para teu irmão Aarão e para os seus filhos, a fim de que sejam sacerdotes a meu serviço; empregarão ouro, púrpura violeta e escarlate, carmesim e linho fino ( Êxodo, 28, 4-5).
Cada um usa dos instrumentos que tem para preservar a dignidade do Cristo. Pelo menos uns dois santos da Igreja primitiva foi citado no início do artigo, onde eles colocam a importância da dignidade do sacerdócio de Cristo; poderia citar vários outros.
Como você bem colocou, eles celebravam em “catacumbas fedidas”, veja a precariedade da situação deles devido a perseguição. Agora, supor que, porque eles viviam de forma precariedade não usariam vestes da realeza para horar a Cristo se tivessem condições, é um salto enorme e desonesto.
A senhora continua escrevendo achismos que não condizem com a realidade e outras questões, que já foram respondidas aqui.

A modo de conclusão
Cabe dizer que como disse Bento XVI, a cultura moderna adquiriu um gosto pelo medíocre, banalizando a liturgia, ou na linguagem popular, “fazendo de qualquer jeito”; mas em contrapartida há uma grande busca pelo sagrado, em especial pelos mais jovens, pois como já dizia Chesterton: “Tão forte é a tradição que as futuras gerações sonharão com aquilo que elas nunca viram.”
Estamos em um tempo de caos, em especial o caos moral, tempo da ideologia de gênero e da banalização da vida (aborto) e ainda existe no interior da Igreja uma guerra proposta por “católicos” contra tudo que a Igreja ensinou e celebrou durante dois mil anos. O problema não é pano ou não pano. Este ou aquele modelo de paramento. Há uma crise doutrinal, moral e litúrgica que é fruto de uma crise de fé e do relativismo.
Esse ódio pelo o que é sagrado da Igreja, visa relativizar as regras e normas que nos aproximam de Deus. Qual a melhor forma de relativizar tudo se não relativizar a mente de um sacerdote?
Deixemos de achismos bobos como: “isso afasta o povo, distancia, desune”. Sabemos que é ao contrário; que a liturgia com todos os seus símbolos, facilita na piedade, no silêncio que a Igreja tanto clama e no entendimento do próprio rito. Sabemos que o povo vive melhor a liturgia quando está é digna, e sabemos também que a melhor forma de desunir e destruir a Igreja é separá-la da tradição que sempre a manteve unida.






[1] Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 47.
[2] São Jose María Escrivá, Caminho – 527.
[3] Santo Tomás de Aquino – Summa Teologiae, III, q. 83, a. 4c.
[4] Sua Santidade, João Paulo II – Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 19.
[5] Missal Romano, antífona de entrada da Solenidade de Cristo Rei, ano A.
[6] Sua Santidade, Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, 41.
[7] RATZINGUER, J/ MESSORI, V. – A Fé em Crise? O Cardeal Ratzinguer se interroga. São Paulo, EPU, 1985, pág 97.
[8] Sua Santidade, João Paulo II, Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 10.
[9] Cf. o comentário de J. Aldazábal na Instrução Geral Sobre o Missal Romano, Terceira Edição. São Paulo, Paulinas, 2007, pág 26.
[10] RATZINGUER, J/ MESSORI, V. – A Fé... Pág. 91 [citação do livro Das Fest des Glaubens, de Ratzinguer].
[11] RATZINGUER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Prior Velho, Portugal. Paulinas, 2006, p. 159.
[12] Papa Bento XVI na Missa de dedicação da igreja da Sagrada Família, em Barcelona (7 de novembro de 2010).
[13] Lc 22, 12; cf. Mc 14, 15.
[14] Cf. Mt 26; Mc 14, Jo 12.
[15] Ecclesia de Eucharistia, n. 47.
[16] Ibid., n. 48.                     
[17] Cf. a contribuição fundamental de São Tomás de Aquino na Summa Theologiae III, q. 64, a. 2; q. 66, a 10; q. 83, a.4.
[18] Instrução Geral do Missal Romano, n. 335.
[19] Ibid., n. 344.
[20] RATZINGUER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. Prior Velho, Portugal. Paulinas, 2006. Pág 159.
[21] Sua Santidade, Bento XVI – Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, 41.

7 comentários:

  1. Está na constituição o respeito aos símbolos dogmas que toda religião tem para que todo aquele crê tenha vida eterna.ninguem vai te processar acho eu.

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  2. Vale a pena ler! Ainda que não consiga concordar com tudo, ajudou-me imenso a construir pensamento e isso acho que é o mais importante: não cair na corrente sem refletir sobre o porquê! Concordo que as vestes e alfais litúrgicas devem ser do melhor que podermos oferecer ao Sacrifício Sagrado de Cristo que ali se reatualiza, devem ser o melhor que a Igreja possa oferecer para receber, em suas mãos - no ceio da comunidade, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. [Isto não nos liberta da responsabilidade de receber bem cada Cristo presente nos pobres, doentes e desprezados da sociedade.] Não porque Ele precise pois até o ouro terreno em nada pode aumentar a Sua infinita divindade e majestade, mas porque nós precisamos para nos ajudar a encontrar o verdadeiro sentido e enleve do que naquela celebração se está a viver. Cristo merece o melhor recetáculo que lhe possamos oferecer, quer dentro de nós (num coração manso, puro e imaculado pronto para ajudar cada Cristo presente nos irmãos que encontra), quer fora de nós (num cálice e numa píxide dignas, num sacrário condizente com o trono que lhe é devido, num altar limpo e cândido como o túmulo novo em que foi sepultado, e em ministros que o sirvam vestidos como quem vai para a maior celebração das suas vidas e não como quem vai à praia).
    Fico mais reticente à utilização das vestes talares fora da liturgia ainda que concorde que os Padres devam ser facilmente identificados pelos fiéis que queiram a eles recorrer. As minhas dúvidas relativamente a esse ponto dirigem-se mais à experiência que tenho tido de ver sacerdotes usando veste clerical ou hábito e depois darem mau testemunho junto dos fiéis (antipatia e arrogância, mau acolhimento, atitudes contrárias com a ética e moral cristãs, vaidade e exaltação pessoal, etc.) ou má utilização das mesmas (apenas quando lhes convém ou só em dias de festa, de forma desnorada (cabeção e calça cor-de-rosa) quando estão na paróquia onde os fiéis já o conhecem e depois retiram para poderem ir e entrar em outros locais (…) de forma descontraída). No entanto afirmo: “Gosto de ver e admiro muito um Sacerdote Santo que usando ou não a batina respeita aquilo que ela simboliza: simplicidade de vida, humildade cristã e nobreza do ministério sacerdotal bem como serviço a Deus com, nos e pelos irmãos". Vou recomendar o texto a alguns colegas seminaristas. Parabéns! JP.pt

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  3. Pelo que entendi da discussão a dita professora não teve por ponto central da discussão o uso da batina, mas dos demais paramentos de ricos brocados utilizados durante a semana santa, e principalmente, questionou as atitudes morais de muitos dos que os utilizam... Esse artigo não tocou nesse segundo ponto, ou estou equivocado? Parece que o artigo quis conduzir a outro rumo a discussão, apelando a diversos fragmentos de obras sem a devida contextualização e a citações bíblicas sem o mínimo pudor exegético que uma boa hermenêutica exige, como recomenda a Dei Verbum. São João Maria Vianney é sem dúvidas um bom exemplo de sacerdote: se vestia com a mais sublime dignidade, mas VIVIA E AGIA COM COERÊNCIA. É um belo retorno ao farisaísmo as atitudes atuais... prega-se muito, vive-se pouco. Acredito que ao retirar os pontos inflamados de ambas as partes devemos prestar mais atenção na COERÊNCIA de nossos discursos. Afinal, será que as vestes são o reflexo do coração do padre ou apenas um ornamento bonito no qual emprego alguns mil reais para me reafirmar enquanto tal? Penso ser uma ilusão esse discurso de que o uso da batina muda algo, sem uma vida coerente ela se torna apenas um pano preto que pode encobrir desde muitos filhos (como conta-se do passado) a muitos maridos (como em alguns casos no presente), ou ser a extensão de um amor sem limites que se entrega pelo Cristo (tal como o pobre cura d´ars), mas essa última espécie parece estar quase extinta.
    Autoria: Um pobre pecador.

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  4. Meu Deus, onde foi que erramos em suportar uma senhora miserável dessa, supostamente teóloga??!! Fez teologia onde, no inferno??

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  5. Meu Deus, onde será que erramos em suportar um senhora dessas...., supostamente teóloga??!! Onde será que fez teologia, no inferno com o capeta??

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  6. Melhor resposta que essa não existe. Creio que agora à senhora professora saberá se colocar no lugar dela, e respeitar o que a ela não cabe, para não dizer e fomentar bobagens.

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  7. Eu acho lindo aquelas vestes tradicionais que os padres usam em dias de festas na igreja, além de toda beleza eu as vejo como algo necessário em certos dias de celebrações. Não sei usar as palavras corretas que eu gostaria sobre essas vestes ,mas acho que devem de ser usadas sempre que a ocasião as pede. ESSE MUNDO ESTA DIFÍCIL DE ENTENDER, NEM JESUS AGRADOU TODO MUNDO.

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